o mito morreu e quem o matou fui eu.
foi isto.
estou para ver se tem mais do que uma vida como os gatos ou se vou voltar a saber escrever.
i hate goodbyes.
i wish it would rain champagne right now.
estou para ver se tem mais do que uma vida como os gatos ou se vou voltar a saber escrever.
i hate goodbyes.
i wish it would rain champagne right now.

Elene Usdin a distância de um palmo foi mesmo suficiente para perder o chão ainda na introdução de dois mil e nove,
e tenho a certeza a bater-me à porta. insistente, fala alto e muito segura de si quando em tempos poucas certezas tinha na palma da mão para oferecer.
vem aí um ano zero, sem resoluções, depois de me teres oferecido um ano-mundo. daqueles sem números pares ou ímpares, um ano-mundo que não pode ser reconduzido a um nove no fim, porque afinal tratou-se sim de um mundo inteiro nascido depois de uma praça chuvosa. um mundo reciclado ou não reciclado, que se lixe copenhaga, mas que me abriu o peito como se fosse a primeira vez que respirasse sem ajuda, um ano já sem cheiros a mofo do passado que já não tenho químicos a oferecer-me paz induzida, um ano de amor que veio nos teus olhos e a profundidade que neles vive, que trouxe um pé descalço enrolado numa corda vermelha, imprevisível e marginal, sem regras escritas que o guiem, um ano-mundo que te cabe no peito, que contagiou o meu. e a corda vem com ele agora.
borro o papel e procuro as palavras. inútil é isso que faço, procurar-te em palavras que não chegam nem nos vestem das cores que somos por dentro, tu e eu. só contigo é que não me imito, diz o cohen. porque só contigo as palavras não precisam de floreados nem de vestes finas ou passas para saltarem para um novo ano zero. só contigo as palavras são foguetes de álcool e pólvora e sangue e amor e polaroids e paz da verdadeira que apertamos nas mãos que se confundem. não crescem, não fogem, são nossas e pertencem ao nosso ano e a um janeiro que me acordou a pele dormente, me fez nascer e me faz continuar a amar-te num novo janeiro daqui a umas horas.
I am what you are and not but me,
So hold me closer and don't ever let me go



Zé! - b Fachada from Vasco Monteiro on Vimeo.


Kung Fu and Kill Bill star David Carradine, who was found dead in a Bangkok hotel room yesterday, might have died from a botched attempt at auto-erotic asphyxiation, Thai police said today.
“There was a rope tied around his neck and another rope tied to his genitals, and the two ropes were tied together and they hung in the closet,” Lieutenant General Worapong Siewpreecha told reporters.
do kung fu ao kill bill, o david carradine tinha o je ne sais quoi que me conquistou em miúda.
nunca soube explicar mas acho que estava na confusão que me fazia e na dúvida que sempre me assombrou do é bom-ou-é-mau? achava-me uma mestre a rotular os bons e os maus da ficção, e o caradine e o steven seagal confundiam a mente da miúda cinéfila que oscilava entre o dirty dancing, o jesus cristo superstar e o kung fu ou um qualquer de sábado à tarde em que a justiça e a moral estivessem na ponta do pezinho do steven seagal a abrir o queixo de um qualquer. ( ok, já escrevi um post em que aparece o steven segal. ) gostava de não entender à primeira que estes gajos com ar de sacanas e gozões eram dos bons, mercenários mas dos bons. a dúvida e a revelação andam de mão dada quase sempre e conquistam assim as criancinhas, algumas.
de expressão marcante acompanhou-me em pequena, com a devida admiração foi posto ao lado do resto dos heróis que me faziam almoçar rápido. chamem-me a mais-nova-groupie-de-sempre a ver se me ralo. heróis são heróis. se tiverem piada, forem giros ou trapalhões, ou um pozinho de sacanas a salvar o dia, melhor. do mcgyver ao lucky luke /terrence hill ( este a despertar a mais pueril das paixões platónicas), o carradine estava lá na vertente do bad-ass com classe, sorriso matreiro e falas sábias. mesmo que hoje o ache assim um bocadinho sádico.
Kwai Chang Caine: [quoting] "Change is not only desirable, it is necessary."
Peter Caine: Confucius?
Kwai Chang Caine: Frank Zappa.


tragam-me cá a miúda se faz favor.

vi-o em pequena, ao lado da minha irmã.
a camisa de flanela dos anos noventa estava lá e uma beleza que a mim, criança, me apanhou.
a meio do vamos ao circo posso jurar que, qual marialva, ele beijou a míuda do acordeão e o meu coração acelerou.
sonhei com ele nessa noite.
fui gozada pela minha irmã.
rimos e cantámos o esta vida de marinheiro sem parar.
those were the days.
cresceu ele, cresci eu.
as festas de anos e arraiais aos saltos ficaram para trás.
voltei a ouvi-lo com a naifa e tornou-se constante banda sonora.
sorri quando soube que ele estava no baixo, entristeço-me hoje.
é infância que não volta.
descansa.
telefonei pra tokyo só pra te ouvir cantar
pensei que a tua voz me pudesse animar
ontem na rtp2, o primeiro filme de 2009.
bom presságio, caso alguém duvide.
o filme com que se começa e acaba o ano dizem muito do ano que se avizinha.
digo eu.
e o dean martin a cantar é um duplo presságio.
Feathers: I thought you were never going to say it.
John T. Chance: Say what?
Feathers: That you love me.
John T. Chance: I said I'd arrest you.
Feathers: It means the same thing, you know that.
Silent night, broken night
All is fallen when you take your flight
I found some hate for you
Just for show
You found some love for me
Thinking I'd go
Don't keep me from crying to sleep
Sleep in heavenly peace
Silent night, moonlit night
Nothing's changed
Nothing is right
I should be stronger than weeping alone
You should be weaker than sending me home
I can't stop you fighting to sleep
Sleep in heavenly peace







