Friday, October 30, 2009
veludo negro ou só aguarrás
Vai-te deitar no escuro, de olhos fechados em silêncio e pensa em veludo negro. Tudo negro, e não penses em mais nada, em mais nenhuma cor, vais ver que passa.
apercebi-me hoje que ainda o faço inconscientemente, como uma regra esquecida de infância que nunca me certifiquei que resultava. gostava do ritual, de cheirar ao misticismo dos sete anos. misticismo de mãe, crença ingénua da miuda. hoje voltei a fazê-lo com saudade. silêncio. cama. escuro. olhos fechados. veludo negro. sorri com as recordações e com a tentativa de resultar, como se o preto fosse ainda preto e já não tantas vezes tingido e pintado em mil direcções para fugir ao medo.
as dores de cabeça depois dos vinte não passam numa noite com crenças monocromáticas, nem com silêncios em quartos escuros. as pálpebras tendem a cerrar com demasiada força e a prender o grito abafado, e o veludo esse irrita a vista e ameaça rasgar de uma vez. podia escrever um manifesto parvo qualquer para acabar com o mito, o veludo negro cheira mal, morra o veludo negro, morra pim. apercebo-me da parvoíce que seria escrevê-lo, e mantenho o mito intacto, como se quer.
corpos que dançam forte e que caem forte é sempre um bom caminho. gosto de me vidrar neles. qual veludo qual quê. a cabeça gosta dos que dançam e caem forte, e um armazém pode ser sempre o princípio do mundo e o fim da ingenuidade.
Saturday, September 26, 2009
paper clips and crayons in my bed
ela tem dezassesis, ele tem trinta e apaixonaram-se.
ela é a estranha menina prodígio do folk brasileiro, que canta johnny cash e dylan, ele tem barba e dispensa apresentações. quis conhecê-la e fez esta música.
adormeço com eles hoje, há coisas em que acredito.
uma ou duas por dia vão chegando.
Sunday, September 20, 2009
pós
chama-se lau nau.
ou laura naukkarinen
vem da finlândia com brinquedos e voz doce. intervala com um inglês manhoso que a torna querida, fala de mapas que nos levam onde não queremos bem ir, da mulher que se apaixona pela morte e de canções de embalar com cavalos. quase senti um floco de neve no nariz e o cheiro a chá quente.
deixei de ouvir o coração a bater.
Thursday, September 10, 2009
Tuesday, September 8, 2009
heaven or las vegas
há um curso para acabar
um blog com tendências suicidas mas que teimoso se vai arrastando já sem escalpe ( e lembrei-me dos basterds)
esses bem que podiam ajudá-lo a sair de cena como o jornal nacional
o mito morria com menos polémica , sem demissões colectivas
sem missa de sétimo dia
mas com a classe do brad pitt de bigode pelo braço
mesmo que não seja nenhuma masterpiece
fechava-se a cortina sem remorços
já está meio esburacada mesmo
e o quarteto nunca mais reabriu, por falar em cortinas
que tinham música
e as ausências e mais ausências
outra vez as ausências
resfriam o sangue mas não o param
é como a marcha dos pinguins-imperador
não param e são inatas de tão bonitas
e um cartão retido no multibanco e burocracias até às três
um curso para acabar, já disse?
nervoso já não miudinho
gigante até dá em lágrima que já se julga campeã
o tique incessante dos dedos que me faltam
para a mão ser mão
uma semana de saudades
uma cadeira só, uma só, a pôr-me no limbo emocional
outra vez
épocas especiais alarmistas
apontamentos sublinhados com a quarta caneta
e o sol aí nasceu às seis e vinte, amor
cafeína a mais
calma a menos
e um curso para acabar
insónias e ausências
latitude -71° -21' 0'
longitude -18° 53' 0'
cinco horas a menos
de ti meu amor
qualquer dia o tigrese vai para os prazeres
parece que não sai de moda, chatice e talvez já não me fique bem
será que alguma vez ficou?
a balança essa vá lá que não chateia
e o meu jardim também não
mas o que faltava a este canto que sonha com quedas do primeiro andar
era ser teimosamente invadido por comentários com spam tailandês
do refinado e criativo
e ter de apagá-los um a um
quando, aqui entre nós que ninguém nos ouve,
até me estavam a encher o ego logístico e já iam a caminho dos trinta
mas
uma adulação repetida acabará inevitavelmente por tornar-se insatisfatória, e portanto ferirá como uma ofensa, diz o saramago.
ora
estou bem.
estou bem.
estou bem.
Saturday, August 15, 2009
ponta delgada - toronto. em voo.
acordei com essa frase, o postal do roy lichenstein sobre a mesa e os lábios fartos de cerveja da noite anterior e estupidamente carentes dos teus.
em voo. leio. está em voo, chega ao terminal 3 mais logo. serei a pior versão do big brother do espaço aéreo? em voo. em voo. controlo o estado do teu coração e do meu à distância e tenho uma visão turva da nossa corda vermelha pelos ares. em voo. acredito que és um vaivém como o quadro no passos manuel.
vaivém. és um vaivém, meu amor, mas só a segunda sílaba me conforta. a primeira lembra-me a todo o tempo a falta que me fazes. só com as duas juntas posso dar valor ao teu sorriso, a cada ritual nosso, a cada beijo como se fosse o primeiro na praça chuvosa. vaivém.
as ausências com calor são menos toleráveis porque durante a noite o pé teima em procurar o último intocável recanto fresco do lençol, nessa busca sonolenta chateia-se por não encontrar o teu. assim como me chateio por ainda não ter comido figos neste querido mês de agosto, logo eu que não falo muito em fruta.
o amola tesouras tem andado por aí, oiço-o do meu canto e sei que vai chover.
assim como sei que voltas para mim não tarda.
pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
pergunta-me
se te voltarei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo a folha rasgada
na minha mão descrente
qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer
Monday, July 27, 2009
i remember
gostava de saber como ficaram estes dois.
I remember it well
The first time that I saw
Your head around the door
'Cause mine stopped working
I remember it well
There was wet in your hair
I was stood in the stairs
And time stopped moving
Sunday, July 19, 2009
o teu dia
ouvi hoje numa mesa cheia de amor a história desse dezanove de julho em que pediam licença aos camaradas porque já tardavas e o mundo te queria.
porque ainda é o teu dia
vi-te e amei-te mais porque estavas dentro dos risos, dos pratos de mão em mão, do carinho, das borras de café, do bolo de ananás, do palácio à distância, das fotografias coloniais e nos vestidos dos anos sessenta, dos amores que começam em meses, duram vidas e mudam o coração boémio de um homem.
porque ainda é o teu dia
lembro o cuidado com que manuseias a tua memorabilia do ryden, em segundos em que mais nada importa, de respiração suspensa, dedos cautelosos e sorriso de miúdo na mais bonita das partilhas.
porque ainda é o teu dia
e humilde, detestas a atenção que sobre ti recai, e te põe ainda mais bonito e inocente, e faz-me ver à distância o consenso que é gostar de ti, o quanto por todos és querido, sendo que as escadas são minhas e só minhas.
porque ainda é o teu dia
beijo-te e volto a beijar-te agora contigo em número par com o desejo de mais dias teus para te ver em tanto amor, beijo-te no fim do teu dia com a certeza de que os beijos ainda podem matar. obrigada pelo teu dia.
Monday, July 13, 2009
o meu crush pela alison
The Dead Weather - Treat Me Like Your Mother
You can get a lot farther with a kind word and a gun than a kind word alone.
já dizia o al capone.
Thursday, June 25, 2009
coração-de-leão?
depois das manas cocorosie na melhor loucura de mãos coladas com o mais terrível dos anjos, depois de direito-internacionalomerdoso-privado em doses não recomendadas que de muito pouco valeram hoje, vem esta falar do ouro do midas, de chazinhos e banquetes coloridos com o lewis caroll, de enrijecer o coração e tentar acalmar-me e cantar com ela em vez de pontapear com gosto o código civil.
yes, florence.
Tuesday, June 16, 2009
bairro alto

ele sai tarde, voa para longe e acorda cedo.
não consegue estar muito tempo sozinho entre paredes e prefere sempre as coxias. as paredes prendem-lhe as ânsias, mesmo que sejam com o mais bonito papel de parede.
sai tarde, voa para longe e acorda cedo. é querido por todos e não se esforça.
és desses. dos que nasceram com esse encanto e que mesmo ao fim de três décadas não são conscientes de o terem.
apanha a roupa, faz a mala, desliga o rádio, sai tarde e voa para longe.
o menino de três anos que mais parecem seis pela desenvoltura com que fala pelo bairro e se estica na varanda para ver tudo, gosta dele. gosta de o ver passar de carro, de vespa e a pé, e chamá-lo de amigo de sorriso rasgado, olhos pestanudos e ainda de fralda.
o menino que não sei o nome porque só lhe pergunto se já lanchou, observa-nos e volta a chamar-te de amigo. insiste mais uma vez - amigo. dás-lhe o teu sorriso mais bonito e é impossivel não achar verdadeiramente que és amigo dele. eu acredito. chego mesmo a acreditar que ele tem saudades tuas e passa a tarde a olhar para o terceiro andar do número cinco quando te ausentas.
gostava de saber o nome delas também. das velhotas do bairro, mas falta-me a tua simpatia. elas mereciam ser tratadas pelo nome e não só por velhotas, nem que seja pelos olhares ora ternurentos ora saudosistas-atrevidos que te lançam. dás-lhes atenção e falas do cabelo delas, da chuva que teima, e enches-lhes o dia. ai se eu fosse mais nova, borracho, leva-me contigo, repetem baixinho quando te afastas.
o olhar da que se senta no degrau a cantar toca-me mais. preferia ouvi-la cantar mais tempo do que à fadista em frente que nos é impingida. olha-te de cima a baixo, olha a miúda que vai contigo de mão dada. mais nova, a cachopa, pensa ela. será que nos ouve pela janela que nos esquecemos de fechar? não sei o que pensa mas sorri e gosta de ti. essas coisas não se disfarçam. muito menos uma velhota que canta a vida na solidão de um degrau.
fácil seria descrever o mundo feminino na tua área circundante da calçada que te sorri, mas por lá anda o senhor da mercearia que gosta de fazer uma piada quando te vê e te entrega o correio, ao da drogaria que me ofereceu pilhas, ao rapaz esquisito dos truques de magia que anda sozinho e por toda a parte com um baralho de cartas, ao que fala de futebol, nos convida para a bica e te pergunta se vais voar e já me estende a mão como se me visse já como parte integrante de ti, os turistas que acolhes e que ficam assim a conhecer o melhor do país num sinal de uma bochecha que os recebe, também eles contagiaste . és desses.
o bairro alto é a tua rua.
tudo o resto em redor ruiu e perdeu o nome.
o bairro alto é o teu sorriso que dele não sai.
nem quando dele sais tarde e voas para longe.
Sunday, June 14, 2009
Friday, June 5, 2009
pretty sadistic bill

Kung Fu and Kill Bill star David Carradine, who was found dead in a Bangkok hotel room yesterday, might have died from a botched attempt at auto-erotic asphyxiation, Thai police said today.
“There was a rope tied around his neck and another rope tied to his genitals, and the two ropes were tied together and they hung in the closet,” Lieutenant General Worapong Siewpreecha told reporters.
do kung fu ao kill bill, o david carradine tinha o je ne sais quoi que me conquistou em miúda.
nunca soube explicar mas acho que estava na confusão que me fazia e na dúvida que sempre me assombrou do é bom-ou-é-mau? achava-me uma mestre a rotular os bons e os maus da ficção, e o caradine e o steven seagal confundiam a mente da miúda cinéfila que oscilava entre o dirty dancing, o jesus cristo superstar e o kung fu ou um qualquer de sábado à tarde em que a justiça e a moral estivessem na ponta do pezinho do steven seagal a abrir o queixo de um qualquer. ( ok, já escrevi um post em que aparece o steven segal. ) gostava de não entender à primeira que estes gajos com ar de sacanas e gozões eram dos bons, mercenários mas dos bons. a dúvida e a revelação andam de mão dada quase sempre e conquistam assim as criancinhas, algumas.
de expressão marcante acompanhou-me em pequena, com a devida admiração foi posto ao lado do resto dos heróis que me faziam almoçar rápido. chamem-me a mais-nova-groupie-de-sempre a ver se me ralo. heróis são heróis. se tiverem piada, forem giros ou trapalhões, ou um pozinho de sacanas a salvar o dia, melhor. do mcgyver ao lucky luke /terrence hill ( este a despertar a mais pueril das paixões platónicas), o carradine estava lá na vertente do bad-ass com classe, sorriso matreiro e falas sábias. mesmo que hoje o ache assim um bocadinho sádico.
Kwai Chang Caine: [quoting] "Change is not only desirable, it is necessary."
Peter Caine: Confucius?
Kwai Chang Caine: Frank Zappa.
Thursday, June 4, 2009
who knows eve

ela escreveu-me um dia a amanhar-me como às entranhas de um peixe da forma mais doce e delicada que se pode fazer
e há noites em que voltam os quinze e volta o texto dela por arrasto terapêutico para me apaziguar.
Monday, May 25, 2009
eu quero eu quero

ainda não é este ano.
um grandessíssimo
FUCK
Nick Cave&the Bad Seeds . The Big Pink
Yeah Yeah Yeahs . The Maccabees
Fleet Foxes . Doves
Regina Spektor. Bon Iver
Little Boots . Glasvegas
The Prodigy . Echo And The Bunnymen
Metronomy . Animal Collective
Maximo Park . The Horrors
Bloc Party . The Whip
The Ting Tings . British Sea Power
Friendly Fires . Eagles of Death Metal
White Lies . Franz Ferdinnand
Bat for Lashs . Pete Doherty
Metric . Jarvis Cocker
The Rakes . Gaslight Anthem
Noah And The Whale . Hockey
Passion Pit . Tindersticks
Lisa Hannigan . M. Ward
The Wombats . La Roux
Ladyhawke . Scott Matthews
Peaches . Art Brut
Emmy the Great . Florence and The Machine
VV Brown . The Virgins
Sunday, May 24, 2009
god is an astronaut
Monday, May 18, 2009
i had a dream
sonhei que estes, the big pink, super revelação do ano que corre e de quem se vai falando por aí, vinham cá, e eu estava de calções a ouvir esta música em paredes, e só tinha as unhas do pé direito pintadas.
ora daqui não retiro nada de prático e credível para o teste de amanhã.
descobri que os meus sonhos até têm som. e que o meu pé esquerdo é renegado e quer mais atenção.
com dip não sonhei eu. não acordei mais iluminada, mas a cantar.
se for presságio musical, vou fazer força para sonhar com radiohead.
pode ser que crie um culto.
Saturday, May 16, 2009
hope there's someone
ao antony,
que com falsetes e uma voz que nos vai até ao âmago me fez esquecer de respirar umas quantas vezes.
a ti, que com meses de antecedência me deste a fé e a certeza que o antony ia passar do chão ao coliseu num ápice e de mãos dadas.
Tuesday, May 12, 2009
swimming pool
Monday, May 11, 2009
o amor - combate é assim que começa
Olhos de Mongol.
É «aquela empatia que existe quando conheces uma pessoa, estás a falar com ela pela primeira vez e há uma energia no olhar, toda aquela ligação um bocado inexplicável» apoderam-se os Linda Martini, a expressão é do Henry Miller e encaixa que nem lego usado.
Wednesday, May 6, 2009
um fado por dia ai o bem que não me fazia
as tuas gaivotas espreitam religiosamente a tua rua. fazem-se ouvir à mesma hora, e fazem-te sorrir a tempo. é um ritual que já não lhes pertence, veio para o nosso canto. onde pouca coisa consegue entrar e perturbar. é a bolha, é a bolha.
Hush
It's okay
juntam-se à vizinha fadista.
gaivotas e fado.
aquela que não sei o nome e às vezes até ofendo, porque o amor faz destas coisas, e o amor no bairro alto é tão mais típico que nos muda e nos faz ofender fadistas.
é ela, a mulher que nos cansa e nos enche as paredes com o mesmo repertório, com a mesma dor incutida do fado-agrada-turistas, com as mesma palmas estrangeiras, que acham em vão que nos riscam o vinil do cohen que pões às escuras a esconder de mim a capa.
é ela que dá notas ao lado, mas que ainda assim e irritantemente nos faz sorrir aos dois em uníssono e tentar calá-la com uma das nossas.
é ela que é constante na nossa história bairrista. por ser testemunha do forte e do infantil do carente e do intenso do amor que não sai e da lágrima que cai com a roupa e do corpo que desmaia antes de ouvir o barco negro atè ao fim. no vento que lança areia nos vidros, na água que canta, no fogo mortiço, no calor do leito, nos bancos vazios, dentro do meu peito, estás sempre comigo.
teima em cantar para nós que não pagámos, que não a queremos. acompanha-nos sem nada em troca. e a viagem, essa é nossa e começa na curva do teu peito.
Dry your eyes
são portas fechadas de segredos beijados nos sinais iguais e frases completadas em jantares no chão. queres fruta? tens de comer fruta.
são estas as portas que se abrem ao fado.
as que do abrir ao fechar levam à urgência de um beijo em três segundos .
unidos numa música que não é a nossa. mãos-de-fada num fado que nos acompanha. vá lá, faz-me dez minutos que depois faço a ti, prometo.
somos os que a ouvem sem a ver, que se riem encaixados como peças de um puzzle que ainda nem foi pensado, e que fingem que se importam por ela interromper a vírgula de um beijo dado já demasiado embebido de sono . já dormes? mas ela ainda canta, e eu ainda te olho, amor.
somos personagens do bairro na mais intimista das casas, no mais perfeito dos abraços, escondidos da calçada de copos partidos e ténis iguais, na mais forte das bolhas, que é teimosa, como tu, como eu.
e o fado é continuar todas as noites.
Soulmate dry your eyes
Cause soulmates never die
Sunday, May 3, 2009
the heart asks pleasure first
no silêncio demasiado alvo das teclas
a pedir o pé descalço destreinado
trouxe a paz de uma pequena flora
já esquecida na areia
a imagem mais pura
nas teclas mais magoadas
que um dia então dancei
The heart asks pleasure first,
And then excuse from pain.
And then those little anodynes
That deaden suffering.
And then, to go to sleep;
And then, if it should be
The will of its Inquisitor,
The liberty to die.
Emily Dickinson
Wednesday, April 29, 2009
this charming man
. não teimar com ele, quando ele reconhece nick drake em três segundos e meio.
. ser indie é confundir o alvaláxia com os cinemas alvalade, correr e tropeçar só para ver os caracóis do garrel.
. o morrissey-é-gay-o-morrissey-não-é-gay-o-morrissey-é-gay é igual ao levo-te-não-me-levas-levo-te. é o ciclo do eterno retorno e só acaba nos lábios dele.
Tuesday, April 28, 2009
no meu sangue o teu vinho
é bom entrar na madrugada com a case of you da joni mitchell.
se houvesse uma playlist padrão das madrugadas esta estava lá, para encaminhar ou desencaminhar, adormecer ou criar insónias. para os apaixonados é vinho do bom e que dá pouca ressaca.
para os outros, os falsetes dionisianos sempre foram golpes nocturnos baixos que adoram puxar o tapete aos que ouvem ou bebem demais.
já o lilac wine cheira sempre às duas da manhã e madeira a estalar e ninguém sabe porquê.
para os apaixonados é veludo a rasgar e vermelho muito vermelho em peles arrepiadas.
é vinho a correr nas veias, do que não traz ressaca.
vinho mau, vinho bom. do que faz chorar e do que faz amassar a roupa e perder a respiração numa esquina sem luz. passa-se a gostar, aprende-se a beber. o charme e a confiança de quem enche o copo, o encantamento de quem bebe o terceiro gole e quer ser levado por braços de sangue quente.
para os apaixonados o vinho é o sangue e o sangue é o vinho.
sem ressaca pela manhã e a aguentar de pé.
Oh you're in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you darling
And I would still be on my feet
Oh I would still be on my feet
I remember that time that you told me, you said
Love is touching souls
Surely you touched mine
Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time
Monday, April 20, 2009
23
If you can change your life
Twenty three seconds
In you I see a chance
Twenty three magic
If you change the name of love
parece-me bem estar de coração cheio e ritmado a começar os vinte e três.
Saturday, April 18, 2009
love me tender
ela tem febre nos lençois dele
os olhos dos quadros pairam sobre ela. testemunhas da chuva que não passa destas paredes
ele volta e beija-a. volta para a cozinha
ela enrosca-se mais nos lençois vermelhos
de amor
a felicidade está aqui
e espera por ele
Thursday, April 16, 2009
karate kid
os meus vícios são quase sempre públicos. e desafinados em passeios molhados.
ainda assim partilho com quem passa.
tragam-me cá a miúda se faz favor.
Monday, April 13, 2009
santiago alquimista - grécia
ligaste-me a meio, mal sabe o úria que serve de elo de país a país, qual moeda única qual quê.
do santiago a meteora.
não hesitei em cantá-la num bar grego onde ninguém me perceberia. onde talvez um velhote grego julgasse conhecer tal melodia mal entoada. a memória oscila a todo o tempo entre o gira-discos hoje já sem agulha porque o amor não a perdoou, e a beleza de pestanas grandes que uma vez teve no colo. mas ainda assim o velho conhece a melodia e deixa-se comover.
talvez achasse mesmo que a rapariga que entrou no bar tinha um déficit de atenção internacional grande demais para se atrever a balbuciar numa língua que não a sua, que não a do harrison.
é esta a devoção de que falo e que me leva a eleger por arrasto um sorriso preferido, aquele que não dás conta de esboçar, aquele que me acordou a carne.
trinco o lábio de baixo à distância, quero tentar perceber se ele existe mesmo quando não o procuras. mesmo quando não dás por ele.
se ainda existo depois de ti.
procuro o fulgor das semanas passadas, o encore perfeito do primeiro degrau das tuas escadas onde voltei para um último beijo apatetado apressado urgente carente e não ensaiado. corri o risco de me achares infantil por prolongar a despedida e voltar para te sentir uma vez mais.
são estes os encores que são sempre escondidos e que nunca são pedidos. os cheios de rubor que pedem ao ouvido para não demorares mais dias. porque o amor verdadeiro espera em sótãos assombrados.
porque o lábio de baixo está cá só para enfeitar.
Wednesday, March 11, 2009
Monday, March 9, 2009
mimetismo de amor com puré de batata
porque é das coisas mais bonitas de sempre, esta menina com uma flor. e o Vinicius sabia.
Para uma Menina com uma Flor
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino,
o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.
E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte
eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta,
e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena;
é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha
- a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.
Vinicius de Moraes
Sunday, March 8, 2009
uma casa
cinco minutos e trinta e cinco segundos de inércia induzida e de coração apertado.
não mexer.
é beleza que se desfaz sozinha.
não mexer.
Tuesday, February 24, 2009
mole. beauty mark. lunar. sinal.
Monday, February 16, 2009
corda vermelha
junto ao rio
no carril de ferro
no alcatrão e na
calçada teimosa
que nos guarda
a corda vermelha
arrasta as folhas de um passado
que o é de tão pretérito
e num rodopio
anseiam antes
pelos corpos a insistir
em respirações trocadas
porque o medo não rompe
agora que ela é vermelha
vermelha-sangue
para que o tempo não gangrene
o nosso outono cheyenne
canta ele
e com a força que não se
pode dizer
chega a atravessar
me o peito
em primeira mão.
em primeira mão.
Saturday, February 14, 2009
Wednesday, January 28, 2009
shearwater
e se a chuva cai sem medo
no peito meio cheio
a distância de um palmo
pode ser o suficiente
para perder
o chão
e se aos vinte e dois se previa a morte de todo o romance, eis que shearwater vêm cantar-me ao ouvido
Monday, January 26, 2009
my little runaway
nostalgia
isto equivale à minha fase do dirty dancing. cronologicamente trocado bem sei, mas equivale.
intemporal de tão bom.
quando um homem de guitarra ainda punha tantas míudas aos saltos numa roda viva, viva as go-go dos anos sessenta.
é como se dançassem à volta da fogueira.
Sunday, January 25, 2009
vicky christina barcelona

a minha fase de relutância com o woody allen é esquecida no exacto segundo em que vejo o javier bardem de camisa vermelha e mais tarde de t-shirt pintalgada.
e se a relutância volta, rapidamente se desvanece.
há dias em que perdoo o woody e faço as pazes.
nem que seja por ter posto a scarlet e a penélope aos beijos.
é i.moralmente assim tão fácil convencer-me outra vez.
Monday, January 19, 2009
joão aguardela
vi-o em pequena, ao lado da minha irmã.
a camisa de flanela dos anos noventa estava lá e uma beleza que a mim, criança, me apanhou.
a meio do vamos ao circo posso jurar que, qual marialva, ele beijou a míuda do acordeão e o meu coração acelerou.
sonhei com ele nessa noite.
fui gozada pela minha irmã.
rimos e cantámos o esta vida de marinheiro sem parar.
those were the days.
cresceu ele, cresci eu.
as festas de anos e arraiais aos saltos ficaram para trás.
voltei a ouvi-lo com a naifa e tornou-se constante banda sonora.
sorri quando soube que ele estava no baixo, entristeço-me hoje.
é infância que não volta.
descansa.
telefonei pra tokyo só pra te ouvir cantar
pensei que a tua voz me pudesse animar
Sunday, January 18, 2009
a noviça do glam rock
purpurinas e ácidos. outro duo.
do movimento bamboleante de ancas do coro, a uma marianne faithfull em queda livre, cheia de classe e mais de substâncias, e menos virginal que a julie andrews na música no coração, junta-se um bowie-ziggy que ainda me é desconcertante.
isto torna-se viciante.
é dificil esquecer isto e voltar a olhar para o sonny e a cher enamorados.
Saturday, January 10, 2009
espuma negra
descobri força na noite para estancar
o pulsar do teu sangue
da ferida que não era minha
mas que ainda assim cicatrizei
agora
teimam em rebentar ondas de espuma negra
como os teus pulmões
sugam-me para dentro com palavras infantis e estupidamente
francesas de um amor que não o é de tão mordaz
sugam-me
logo eu que tenho tanta pena da virginia wolf
e lhe tirava as pedras do bolso
uma a uma dando-lhe razões para ficar
se não fossem as mesmas ondas de espuma negra
como os teus pulmões
pintaste bem o medo sem sair das linhas e sempre na mesma direcção
prudência pueril a tapar o sol com a peneira
era o fio
era o fio
era o fio
dizias
prendias a vontade e a faca na mão a ameaçar
cortar a pele em vez do fio
agora comes os lençóis enquanto gastas o meu nome e
sem maneiras queres repetir
me sem tirar os nós e os soluços primeiro
e os lençóis não são para comer
já te disse
Thursday, January 8, 2009
tourette's better version
quando penso que já não canto mais, solto um oh oh, father lay me down involuntário e de pulmões cheios.
da gélida avenida da liberdade de hoje à cozinha a cheirar a torradas queimadas.
é o síndrome de tourette mais refinado que conheço.
I said oh oh, father lay me down
Down on this sunken ground
I said oh oh, Bessie Smith why do you hang your head so low?
I would die in heaven just to meet your soul
Friday, January 2, 2009
my rifle, pony and me
ontem na rtp2, o primeiro filme de 2009.
bom presságio, caso alguém duvide.
o filme com que se começa e acaba o ano dizem muito do ano que se avizinha.
digo eu.
e o dean martin a cantar é um duplo presságio.
Feathers: I thought you were never going to say it.
John T. Chance: Say what?
Feathers: That you love me.
John T. Chance: I said I'd arrest you.
Feathers: It means the same thing, you know that.
Wednesday, December 31, 2008
Sunday, December 28, 2008
a cohen o que é de cohen
under the perfect spikes
of imperishable eyelashes
Your mouth living
on French words
and the soft ashes of your make-up
Only with you
I did not imitate myself
only with you
I asked for nothing
your long long fingers
deciphering your hair
your lace blouse
borrowed from a photographer
the bathroom lights
flashing on your new red fingernails
your tall legs at attention
as I watch you from my bed
while you brush dew
from the mirror
to work behind the enemy lines
of your masterpiece
Come to me if you grow old
come to me if you need coffee
Saturday, December 27, 2008
leve como uma pena
Não é de todo má ideia ir pondo as prendinhas de natal aqui em destaque e em merecida exploração e divulgação. recebi um dos melhores filmes do ano acompanhado do vinil de 79 do heart of glass. dois em um, há natais assim.
o We Own The Night, de James Gray, está assente na lista dos melhores do ano, tanto de gente de quem sabe da coisa e faz top ten's, como de uma prosaica e reles amante de cinema como eu (atenção, amante de classe, com direito a um belo quarto de motel.)
só aqui não ponho a opening scene, das melhores do ano também, com a heart of glass no fundo, porque a este canto ainda lhe resta algum pudor, mesmo que varrido para os cantos e tapado com o napron.
contenho-me para não fazer as já minhas famosas odes ao Joaquin Phoenix, a inflamabibilidade na luta interna do moço é bonita, e leva-me por arrasto em combustão.
nesta estória familiar seria pecado não falar no senhor Duvall, no três-mamilos-Mark Wahlberg, e na sensualidade da senhora Eva, mas é no Joaquin que o filme começa, é nele que se dá a explosão emocional e é nele que termina em jeito de redenção. vai do jingar com que desce as escadas da discoteca à intensidade com que se sai no drama para o qual é arrastado.
nota de redacção- enquanto isto foi escrito, senti-me tentada três vezes a pôr o clip da cena de abertura.
a heart of glass encaixa entre as pernas da eva e o terrível charme da cicatriz-pseudo-leporina do joaquin.
não pus, mesmo tentada.
o pudor é uma coisa terrível.
Wednesday, December 24, 2008
silent night
Silent night, broken night
All is fallen when you take your flight
I found some hate for you
Just for show
You found some love for me
Thinking I'd go
Don't keep me from crying to sleep
Sleep in heavenly peace
Silent night, moonlit night
Nothing's changed
Nothing is right
I should be stronger than weeping alone
You should be weaker than sending me home
I can't stop you fighting to sleep
Sleep in heavenly peace
Sunday, December 21, 2008
hotel chevalier
os delírios quando se passa a fasquia dos 39º já deram melhores frutos e melhor ficção nacional, achei melhor pôr a secção dos filmes emprestados para devolver ainda este ano.
uma curta destas a fazer de era uma vez a uma história em que o cómico e o amargo-triste andam de mãos dadas, coisa refinada que o wes anderson vai conseguindo, é sempre um bom augúrio do que aí vem. e a natalie ajuda sempre.

Ex-girlfriend: Are you running away from me?
Jack: I thought I already did.
Ex-girlfriend: Whatever happens in the end, I don't wanna lose you as my friend.
Jack: I promise, I will never be your friend. No matter what. Ever.
Ex-girlfriend: If we fuck I'm gonna feel like shit tomorrow.
Jack: That's okay with me.
Ex-girlfriend: I love you. I never hurt you on purpose.
Jack: I don't care.
Jack: You wanna see my view of Paris?
eles não vão nada ter sempre paris.
é a ilusão das ilusões que me anda a ser cantada.
Saturday, December 20, 2008
guilty pleasures

ARLENE: Oh, you’re stuck with a dateless wonder.
PAM: I like the sound of that. What’s that?
ARLENE: A dateless wonder is a guy who thinks about girls a lot but doesn’t have much social skills. So he doesn’t go out a lot. But he’s not like his geeky friends, or his fat friends, or his confused sexuality friends, he goes out…every once in a while. Every once in a while he gets the balls to ask a girl out. Now dateless wonders usually make it a point to ask girls out of their league. Since they don’t expect to get the date anyway, why not aim high. And every once in a while, they get their shit together long enough to get a pretty girl to say yes. And you’re that pretty girl.
Friday, December 19, 2008
consoada do panque-roque
e eram mais que as mães.
o natal chegou mais cedo e só tenho que agradecer por isso.
e ainda hei-de descobrir como é que aqueles dois cromos-embriagados ao meu lado no concerto, sim é o termo simpático, acabaram o concerto lá atrás no palco armados em vedetas. ou groupies. ou qualquer coisa com muito álcool. pergunto à central de informações?
Monday, December 15, 2008
a guerra fria e eu de lábios pintados
na boca dela o bâton vermelho misturava-se com o álcool e as palavras saíam enroladas com a língua a querer protagonismo. ainda assim o bâton lá estava como prova viva de que ela estava teatralmente bem para o mundo ver.
o verniz topa-se logo, não engana. quando a alma lasca, nem que seja por segundos e os olhos se enchem, reflecte-se nas unhas logo, tiro e queda. lascam, devagar. uma por uma. do mindinho para o polegar porque é ele o mais próximo do coração e dorme as noites frias sozinho dentro da mão.
falange. falanginha. falangeta. queria que me tomasses os dedos assim, e que me chegasses ao polegar sem pressa. numa cantilena pueril e sem te importares com o verniz lascado, tão sintoma do que fizeste.
o bâton vermelho destaca-me das outras, convenço-me. não é nada um lugar-comum, cala-te.
o vermelho não é igual, nem difere pelas marcas finas ou dos chineses da rua do jardim. é vermelho, mordendo ou não o lábio de baixo, falando muito e muito alto enquanto se dança ou a falar muito perto de alguém e a deixar marcas no copo alto de cerveja, o vermelho muda durante uma noite inteira.
passa por mil amores e não passa ainda e só de vermelho.
há vermelho-beija-me. há vermelho-apazigua-me. há vermelho-excitante. há-vermelho-clássico. há vermelho-provocador. há vermelho-sozinho. há vermelho-sangue. há vermelho-toma-me. há vermelho-a-dois. há vermelho-de-amigas. e há vermelho-mau.
vermelho, vermelho. vermelho. logo eu que também não percebo as cores complementares.
na outra noite no metro,uma menina disse a outra : ' ela tem os lábios vermelhos, não são cor-de-pele como os nossos, também quero.' ouvi, e inevitavelmente sorri, porque aos quatro anos mal elas sabem que era vermelho-mau. e quis esborratar-me de seguida mas não as quis desiludir em plena carruagem e fazê-las conhecer o joker-do-amor cedo de mais.
he said "sew up the bad that you done, tomorrow christmas day comes."
a ânsia de te ver é pior que a minha antiga véspera de natal, em que era a última em dez, a abrir as prendas. irrequieta e de olhos arregalados, chata e esperançosa. não, espera. não quero que seja esta ânsia, esta é boa. esta é boa. porra.
esta é calor da lareira, abraços e pressa, muita pressa. nada de noites mal dormidas e comprimidos a mais.
nunca soube fazer comparações, sou menina de hipérboles que me tramam e abusam do meu sono. atam-no à cama e obrigam-no aos maiores disparates. e os eufemismos, esses, perseguem-me e fazem-me ver-te ainda de vestes bonitas. o rei vai nu. o rei vai nu.
diz o mexia que diz céline, que ' O amor é o infinito ao alcance dos caniches ' e adormeço com isto, que o natal está a porta não tarda, as unhas precisam de ser retocadas e a bandeira branca de paz precisa de ser erguida aqui na janela do primeiro andar, antes que o vermelho desapareça de uma vez por todas.
cry in to your christmas cake
dont know what else to do
the new year is right in front of you
Sunday, December 14, 2008
senhor mexia é que sabia- take II
(...)
"I Should Have Known Better" (Jim Diamond) é a mentalidade masculina em quatro minutos e 12 segundos. Ele traiu a mulher que, segundo diz, amava. E no entanto, tirando as lágrimas e as desculpas, ainda diz asneiras e mais asneiras. Coisas como «dei umas voltas» (o indispensável eufemismo sexual).
Coisas como «pensei que percebias» (pensei que percebias que os homens são inevitavelmente infiéis, vem nos genes e tal). Coisas como «não devia ter mentido a alguém tão bonito» (se ela fosse um trambolho não havia mal).
Coisas como «agora és tu que me magoas» (como se virar costas a quem nos traiu fosse tão mau como trair alguém).
Dá ideia que o «eu devia ter sido mais sensato» do título não é arrependimento honesto: é apenas um fulano em estado de necessidade. Um fulano que não ganhou um pingo de maturidade com a experiência.
Quando eu era puto, em 1984, ouvia esta canção e tinha pena dele. Queria que ela voltasse.
Hoje ouço de novo e acho que ele foi um canalha. E não quero que ela volte.
Quando era puto, achei que ele soltava aquele estranho «ai ai ai», como em português fazemos quando nos magoamos. Hoje, sei que ele diz «eu eu eu», como um homem patético. Passe a redundância.
Pedro Mexia, in Nada de Melancolia
Friday, December 12, 2008
bettie mae page
Tuesday, December 9, 2008
Thursday, December 4, 2008
amour fou pós-68

a fronteira do amanhecer e o ciclo do eterno retorno
pai e filho cruzam-se ao espelho.
um lembra o outro da felicidade a preto e branco da nova onda francesa que o filho não viveu, numa lição cinéfilo-paternal, oscilando na linha do facilmente parodiado.
um avisa o outro dos perigos de amar tardiamente e sem volta a dar e do gin em horas más e longas.
é o pai a dar o derradeiro lema de vida ao filho, já que a cabeça se irá ressentir quando a pele for outra. a cabeça ressente-se literalmente com aparições sob prazo expirado e os negativos saem queimados com a beleza do que já não é. e o amor são duas lentes.
a angústia de não querer um amor burguês leva garrel ao seu maio de 68 outra vez, sem armas e sem uma única gota de sangue.
a femme fatale carole e o seu mamilo, ousa ser a diva das tragédias de outrora, e de tão perdida e desesperadamente bonita suga a lente. até no além precisa dele e quer que ele a leve ao colo. é a dependência a preto-e-branco num espelho francês.
o amor esse está na camisa branca e na classe dos caracóis do garrel.

Nós somos as pessoas que dormem.
As que fazem história são muito mais numerosas.
Friday, November 28, 2008
laisse-toi aller et n’ai pas peur
volto ao asfalto. sei quando olho para os meus phones. os fios hão-de estar eternamente embrulhados e com demasiados nós-cegos. mas têm fases piores e esta é a época das romãs e das mãos frias vazias.
voltei.
desta vez juro que é a última. desta vez juro que é a última. desta vez juro que é a última. desta vez juro que é a última. desta vez.
o muro de berlim só caiu uma vez, reza a história.
Laisse-toi aller et n'ai pas peur
Les mecs c'est des salauds
Mais peut-etre pas tous
Remplis ton verre et a nos amours
J'suis la pour ca

um aviãozinho militar
atirou uma bomba ao ar
em-que-ter-ra-foi-pa-rar?
Wednesday, November 19, 2008
Thursday, November 13, 2008
o filho do pastor
the only one who could ever reach me was the son of a preacher man
sweet-lovin son of a preacher man
há algo de muito errado na entoação luxuriosa com que me deparo a cantar isto.
Friday, November 7, 2008
two for the road
Joanna Wallace: Good. I hate to think that it happened all the time.
Mark Wallace: I had absolutely no intention of sleeping in hotels.

é uma polaroid admiravelmente honesta do casamento e mais uma vez com uma estilizada, deliciosa e genial Jo.
What kind of people just sit in a restaurant and don't say one word to each other?

as histórias de amor não têm obrigatoriamente de ser sinceras, podem oscilar entre apoteóticos beijos numa viagem ao sul de frança e insultos num íntimo clássico bitch - bastard ricochete de quem em seguida quer tomar os lábios do outro, e mesmo assim não serem sinceras.
são doze anos na vida de um casal, num esperançoso retorno aquilo que eram. e a sinceridade, às vezes dura e sarcástica está lá entre os lençóis.
a paixão aqui tende a desvanecer na primeira fila ao mesmo tempo que a necessidade de se impressionarem. e mesmo assim são um casal-íman. como poucos.
de jovens à boleia com o riso-do-amor a borbulhar, ao casal desesperadamente à procura do último fôlego para consertar a frieza agridoce com que se habituaram.
ora para a frente, ora para trás, num desconcertante passo de dança entre Audrey e Finney, a química está lá sempre e eu deste lado a desejar de pé juntos uma road trip tão íntima como esta, com beijos em st tropez, mesmo com inevitáveis bastards pelo meio e que tenha que ser eu a empurrar um MG ou um mercedes 300, desde que com o guarda-roupa desta senhora.
Mark Wallace: It's really meant for photographing three-dimensional objects.
Joanna Wallace: I'm three dimensional, as a matter of fact.
Wednesday, November 5, 2008
Saturday, November 1, 2008
o nº 65 é disco de reserva

gosto de sentir pele-de-galinha por ouvir alguém cantar ao vivo. é visceral o que estes senhores fizeram.
o timbre dele a poucos metros do meu que está mudo e quebrado.
levei companhia e senti-me uma miúda, contente a querer partilhar a descoberta, a levar testemunhas numa esperançosa conversão, ansiosa para ver a mesma admiração e radiante por lhes mostrar algo tão tão tão bom. ( vaidade pueril, admito sem pudor. )
acabou-se o armistício numa colina de lisboa e o nº65 funciona e vai tocando aqui, embrutecido.
isaac é o nome do meu avô.
Wednesday, October 29, 2008
love letters from a muthafucka
descaradamente tarantino.
não disfarçam, o que não é mau. são laivos de honestidade portuguesa.
o ivo canelas vai levar-me a tirar as teimas e quem sabe fazer as pazes com o cinema português. ( tenho graça eu ) não creio, mas já me puseram a cantarolar o love letters from a muthafucka .
Tuesday, October 28, 2008
a hora das bruxas vs morning theft
E é então que chega o nevoeiro. O nevoeiro é um achado, porque cumpre ainda melhor as funções classicamente atribuídas à noite, à escuridão ou às sombras fugidias.
Sobretudo porque este nevoeiro não é uma neblina inócua, uma gaze que tapa os céus e obscurece a visão.
Carpenter sempre foi um cineasta bastante politizado, e The Fog lembra que o passado é uma história de violências e outras vergonhas.
E nunca nos libertamos do passado, como se vê pelos vestígios e destroços do navio que ainda dão à costa. Os fantasmas que vêm vingar as infâmias antigas são também esses founding fathers que os americanos mitificam, e que aqui regressam com intenções malévolas, entrevistos no meio do nevoeiro que os ajuda, sempre naquela «hora das bruxas» entre as zero e a 1 da manhã. E percebemos que eles nunca ficam saciados, porque haverá sempre fantasmas do passado que nos assombram.
Pedro Mexia
a hora das bruxas é lixada. seja lá onde for. é sempre sempre lixada.
ah, não és o d.sebastião e não trazes a esperança nas mãos. e mesmo assim apareceste numa manhã de nevoeiro e vento e sem cavalo branco. preferia que tivesses continuado lá por alcácer-quibir. look for the fog
Wednesday, October 22, 2008
barcelona loves you
e amanhã já cá não está quem falou.
vou a barcelona dar um pulinho num quase-retiro. constou-me que é lá que existem as boas clínicas de reabilitação emocional. vou limar arestas e cantarolar isto nas ramblas.
hoje acordei a pensar no mikado.
porque é que já ninguém joga ao mikado? aposto que é por isso que há um crescendo de corações maltratados.
falta de prática no mikado.

tenho dito.
Sunday, October 19, 2008
oh meu dEus
dEus é do roque-enrole e faz-me dançar descompassada e querer ser a groupie número um do tom barman. isto tem muito pouco de católico.
thank your for the roses for the roses.
Don't say goodbye
let accusations fly
like in that movie
You know the one where Martin Sheen
waves his arm to the girl on the street
I once told a friend
that nothing really ends
no one can prove it
So I'm asking you now
could it possibly be
that you still love me?
And do you feel the same
Do I have a chance
of doing that old dance again
Is it too late for some of that romance again
Let's go away, we'll never have the chance again
I take it all from you
Friday, October 17, 2008
jules et jim
Je me suis saoulé en l'écoutant,
L'alcool fait oublier le temps,
Je me suis réveillé en sentant
Des baisers sur mon front brûlant.
On s'est connus, on s'est reconnus,
On s'est perdus de vue, on s'est reperdus de vue,
On s'est retrouvés, on s'est séparés,
Puis on s'est réchauffés.
Alors tous deux on est repartis
Dans le tourbillon de la vie,
On a continué à tourner,
Tous les deux enlacés
Thursday, October 16, 2008
wild at heart and weird on top
Lula: Uh oh. Baby, you'd better get me back to that hotel. You got me hotter than Georgia asphalt.
Sunday, September 28, 2008
um homem é um homem

Esta foi a noite de sexta-feira da melhor maneira que poderia ser descrita, por quem estava ao meu lado. um misto de incredulidade, compaixão e nojo pelo tempo gasto a cada gesto incomodativo, cada entoação a pisar o risco, cada frase sem sentido, à qual queríamos forçosamente arranjar um, torná-lo mais homem.
uma peça de teatro na qual tacitamente concordámos participar.
Artista de circo
Chegou-se perto e soltou três palavras: pintor, sensível, índiga. Estava bem bebido e não tinha nada para dizer. Queria dinheiro mas entretanto ocupou-se a falar da vida: filosofava. Pediu vinte cêntimos, conta certa, ou então qualquer coisinha que se arranjasse, nem que fosse mais. Entretinha-se a soltar pérolas de sabedoria e as palavras caíam-lhe da boca como se fossem saliva. Assumia-se como artista ébrio mas pelo hálito parecia que tinha a boca podre. Com um ar gingão balançava-se ao falar e usava o corpo como arma de arremesso, projectando-se num espaço que não era o seu. Cada vez que se aproximava nós recuávamos, num movimento semelhante ao das ondas, subtil mas vital. Prendeu-nos a atenção, e se o tolerámos foi por inocência, a pensar que se ia embora de seguida. Parecia um artista de circo caído em desgraça e tentei imaginá-lo com uma bola no nariz. Não funcionou – os palhaços quanto muito são tristes, não têm aqueles olhos melífluos.
Homens, mulheres, a sensibilidade e o coração, procura na net que me encontras – volvia ele aos esses num raciocínio a que a boca não conseguia dar sentido. Assim que chegou começou a espraiar-se: são namorados? Não foi por acaso. Acredita que te marcou desde esse primeiro momento. Era um estratega. Só depois me veio à ideia a hipótese da malvadez da conversa. Os olhinhos pequenos por detrás dos óculos de massa varriam a noite e poisaram em ti. A mim coube-me o papel de acessório. Porque os homens são sempre homens - ouvi-o dizer - já às mulheres basta-lhes fazer isto – rápido movimento de ancas que me fez rir, entretido com o aparato; parecia um mimo. Tenho seis mulheres – tantas – e uma delas é dona de um bordel – talvez as outras cinco também lá trabalhassem. Devo ter levantado o canto dos lábios sem querer: Porquê? – atirou à queima-roupa. – afinal de contas faz sentido, as mulheres é que têm bordeis! - talvez sim, talvez não, já não queria saber – qual era o sentido daquilo? - , e soou-me a coisa má.
A aura de entretenimento esfumou-se no instante em que o meu sorriso perdeu a graça, transformado num gesto mecânico. Mas ele sabia, projectava-se muito bem e controlava-nos aos dois, cruzava o ar montado num arame invisível que manuseava com perícia para transpor a distância que nos separava. Os olhos pareciam duas bolinhas de cera e havia ali um azedume que não conseguia disfarçar, que o vinho e a cerveja não camuflavam. Gingou para trás e para a frente durante toda a conversa. Parecia malabarista, chegava-se muito perto e depois recuava. Creio que te portaste melhor do que eu, o teu sorriso sempre sorriso, a provares que a graça das mulheres lhes é tão natural como existir. Nós precisávamos urgentemente de um Rikki tikki tavi para nos livrar da dança hipnótica e ele precisava de nós, da oportunidade de ser ouvido. Transportávamos qualquer coisa valiosa, e da mesma forma que o interesse da garrafa está no que traz no ventre, também em nós o que ele via era a atenção que lhe dávamos. Que sede, que sofreguidão a do pintor. Por ironia o que o pintor mais queria é também o que com menos vontade se dá, essa aquiescência, a concordância de ideias, o reconhecimento que há quando se está com alguém que queremos ouvir. Que se seja bruto então, que se diga um não com convicção e que se voltem as costas, que se seja violento quando há violência; a violência não tem que ser física. Num contacto assim há uma permuta, uma troca de qualquer coisa valiosa que nem sempre se está disposto a dar – seria por isso o nojo crescente, por intuirmos que nos estava a controlar, a tirar qualquer coisa sem autorização? Deixámo-nos embalar e só quando o aviso agudo da auto-preservação se fez sentir é que fugimos – ninguém me tira da cabeça que aquilo foi fugir; ensinaram-nos a evitar sempre os confrontos e a violência.
Falava demasiado próximo, tinha bebida a mais no corpo, servia-se duns olhos excessivamente pequenos, tinha mulheres a mais – ou a menos – e poluiu as palavras que soltou: não teve génio de artista para pintar com mestria o mapa dos teus sinais da cara; deixou fugir a sensibilidade ao me agarrar no braço, esquecendo-se de que aquele braço era meu, era eu ; atropelou a linha que separa a criatividade da mentira e inventou uma palavra para lhe insuflar a arrogância antes de se esvaziar na noite como um balão. Pintor; sensível; índiga. Parece-me que a única coisa que dei de boa vontade nessa noite foi mesmo a moeda de vinte cêntimos e tudo o resto me foi roubado. Por azar, antes de desaparecer na noite insinuou-se pessoa de bom gosto. Engano com certeza.
AD
Já me disseram muita coisa num final de noite mas esta entrou para o top e merece discurso directo.
" Olhem para ela tão bonita, tão inocente e sensível. Partiram-te o coração foi? Ai coitadinha. Não percebes mas foste marcada com esse sinal que aí tens. És índiga.
Se um homem pegar nela e a educar é capaz de a transformar num verdadeiro martelo de Pink Floyd. "
há salvação portanto.
all in all you're just another brick in the wall.
Saturday, September 27, 2008
let's go someplace like bolivia
ela: eu vi. tinha olhos azuis...
ela: fogo.
I picture my epitaph: "Here lies Paul Newman, who died a failure because his eyes turned brown".
Sunday, September 21, 2008
a fail to kiss is a fail to cope . antecipação

PROMETEU
Não choreis prematuramente; esperai até que tenhais de tudo pleno conhecimento.
hoje separava-nos um banco de jardim. aproximava-nos esta faceta de vítimas e uma tristeza infantil de tão insistente.
eu sabia que, tal como eu, te doía o peito.
bebias o café devagar enquanto fumavas, e o banco que nos separava era cada vez mais curto. sou tão fácil com a instabilidade. venha ela, tudo menos a cura.
you are what you love and not what loves you back
murmurei qualquer coisa do meu banco. precisava que soubesses que se alguém te abraçaria hoje, seria eu. logo eu.
não te conheço e ainda assim sei como soa o teu timbre de manhã depois de poucas horas de sono e antes do primeiro café. sei a vibração do soalho velho quando nele te deitas e te armas em johnny cash.
sei quantas pestanas te caem por dia, quantos desejos desperdiçados, e qual a música que te acorda todas as manhãs. não sei o que fazes mas sei que adoras refugiar-te em lisboa, tanto quanto eu e apalpar um novo banco para começar de novo. hoje cruzámos-nos num.
às 16h, neste largo, fomos cúmplices.
co-autores deste desmoronamento interno. mata e esfola. eu atirava uma pedra, tu atiravas duas ou três. incitámos-nos mutuamente. mostra-me a tua cicatriz que eu mostro a minha. trocámos pecados, comparámos as certezas de ontem.
apalpa a minha ferida aberta, a que criei, com direito a nome próprio e patente. sou íntima da tua dor sem saber.
e ainda assim não sei o teu nome nem o teu porquê.
foi fácil chorar à tua frente com um banco a fazer de fronteira.
querias passar a fronteira e amparar-me, achavas que devias. repeti-te aos olhos que te queria longe, não precisava de mais imigrantes ilegais.
conforta-me de longe, por favor. não quero conhecer a tua textura nem o teu sabor. ampara-me daí, chega.
não te conheço. e sei a forma exacta que a tua mão cai como uma concha sobre o teu peito quando te deitas. esse conforto como numa ligação psicossomática no exacto momento antes de adormeceres, são um. mão e peito. e isso já não me comove.
PROMETEU
Tu suspiras, e gemes... Que farás, então, quando souberes de tudo?
deixo que me vejas patética, sem risco nos olhos, sem acessórios, sem letras de músicas disparadas, e sem piadas fáceis. vês-me como muitos não ousaram e bateram rápido com a porta. como a muitos barrei entrada, e pedi exageros.
you are what you love not what loves you back
não vi pena. vi o que quis ver com os olhos cheios de ti.
chorei pelos dois. a tua nicotina e o niagara nos meus olhos.
ela trocou-te. mas antes fez por deixar a blusa vermelha no chão do teu quarto. marcou assim um território que abandonou. vejo a blusa dela na tua íris, e sei que não lhe tocaste. passas sobre ela de pés descalços de manhã, é o teu ritual. senti-la nos pés. não a dás, não a vendes numa loja de roupa em segunda mão, não a deitas fora, não lhe telefonas para a devolver, estupidamente, achas que ela se irá emocionar quando voltar a deitar-se no teu chão.
ainda aqui não sei o que te chamar.
sei que odeias lamentos e exageros, e mesmo assim serves de confidente nesta tarde. achas-me uma ofélia exagerada e mesmo assim ofereces-me terra segura, sem água.
vejo-o de andar arrastado na sombra e o coração dispara, não eras tu, nem ele. não houve confronto.
procuras o lóbulo da minha orelha e pedes-me para continuar assim, sem brincos. na ânsia, e incitada por uma brisa qualquer, os meus dedos procuram a tua cara, e ameaçam-te. ai de ti que tires a barba.
somos veneno um para o outro e já não é o banco que nos separa. são eles.
PROMETEU
Não!... Não foi assim que dispôs o destino inexorável. Só depois de haver sofrido penas e torturas infinitas é que sairei desta férrea prisão. A inteligência nada pode contra a fatalidade.
O CORO
E a fatalidade, quem a dirige?
PROMETEU
As três Parcas, e as Fúrias, que nada perdoam.
Tuesday, September 16, 2008
o momento da beatlemania
- Não.
- E o polígrafo diz...
...que é mentira.
uma de muitas. a minha moral não tem sal.
Saturday, September 13, 2008
estás de luto e eu com os lábios pintados
voltar a sítios, apagar memórias, criar novas pode bem ser o lema a seguir.
teremos sempre paris?
o trio
samuel úria, com barbarelas, frases que ressoam horas depois e na manhã seguinte, westerns com mariachis e caixões e um bigodinho, como só a alguns é permitido. descoberta tardia mas sempre de louvar.
armés com canções sentimentais a meia luz, feromonas, a fazer crer que o elliott smith pode bem ser português.
e o grande jorge cruz a concretizar suspeitas, com razões para o casamento, footlose, e a intensidade de como maestro por uma sala a cantar
falta o guillul.
deixei este trio ao som do grace que continuava a tocar, com as mãos a tremer, confesso. obrigada a eles.
nunca pensei ver a palavra larica, o meu nome, e minha linda, tudo na mesma frase. há dias assim. a ti, obrigada.
Wednesday, September 10, 2008
don't think twice, it's all right
Se por acaso me vires por aí
Disfarça, finge não ver
Diz que não pode ser, diz que morri
Num acidente qualquer
Conta o quanto quiseste fazer
Exalta a tua versão
Depois suspira e diz que esquecer
É a tua profissão
E ouve-se ao fundo uma linda canção
De paz e amor
Se por acaso me vires por aí
Vamos tomar um café
Diz qualquer coisa, telefona, enfim
Eu ainda moro na Sé
Encaixotei uns papeis e não sei
Se hei-de deitar tudo fora
Tenho uma série de cartas para ti
Todas de uma tal de Dora
E ouvem-se ao fundo canções tão banais
De paz e amor
Se eu por acaso te vir por aí
Passo sem sequer te ver
Naturalmente que já te esqueci
E tenho mais que fazer
Quero que saibas que cago no amor
Acho que fui sempre assim
Espero que encontres tudo o que quiseres
E vás para longe de mim
Na sexta-feira acho que te vi
À frente da Brasileira
Era na certa o teu fato azul
E a pasta em tons de madeira
O Tó talvez queira te conhecer
Nunca falei mal de ti
A vida passa e era bom saber
Que estás em forma e feliz
E ouve-se ao fundo uma triste canção
De paz e amor.
JP Simões
Saturday, September 6, 2008
( sinestesia cobarde )
aqui há algo que se desmancha aos quatro minutos e dez segundos.
por fora só o polegar a enconder-se na mão fechada pode prever que com o ressoar da primeira nota no piano, por dentro vou ruir.
transporto isto em lisboa com o passo acelerado, e touché, o timing do piano mais uma vez torna-se doloroso de tão perfeito. escolhe sítios, cheiros, bancos e árvores que ainda não poderia visitar. ( sinestesia cobarde que trazes até ti )
what must be done
existem cenas que de tão poderosas nunca poderão ser dissecadas sob pena de quando as revirmos a tensão, o crescendo e o aperto se afastem de vez. se explicar e der um sentido ao que me magoa deixarei de sentir o pulsar na ponta do indicador e irei olhar em frente ( é o que te custa claro, deixar de ter a pedra no bolso do casaco sempre à mão )
ter cenas escolhidas para alimentar um tornado emocional de média escala não é terapêutico nem faz sentido, mas também lisboa já tem terror suficiente e ainda levou com o motel lx.( adoras distanciar-te claro, pôr metade do corpo de fora da analogia e da fantasia em que vives é confortável, a realidade torna-te lúcida mas ainda assim ridícula, pequena )
There would be no eulogies for Bob, no photographs of his body would be sold in sundries stores, no people would crowd the streets in the rain to see his funeral cortege, no biographies would be written about him, no children named after him, no one would ever pay twenty-five cents to stand in the rooms he grew up in. The shotgun would ignite, and Ella Mae would scream, but Robert Ford would only lay on the floor and look at the ceiling, the light going out of his eyes before he could find the right words.
Monday, August 18, 2008
a coincidência do rebuçado amargo
Danny the daredevil.
Candy went missing.
The days last rays of sunshine cruise like sharks.
I want to try it your way this time.
You came into my life really fast and I liked it.
We squelched in the mud of our joy.
I was wet-thighed with surrender.
Then there was a gap in things and the whole earth tilted.
This is the business.
This, is what we're after.
With you inside me comes the hatch of death.
And perhaps I'll simply never sleep again.
Tuesday, August 12, 2008
the potential you'll never see
primeira conclusão do dia: afinal gosto de queijo fresco.
última conclusão do dia: ainda me sei emocionar.
as intermédias não são aqui descritas pois o seu conteúdo facilmente pode ferir susceptibilidades, e levam muitos pis.
i don't want to be a bandage if the wound is not mine
Tuesday, July 29, 2008
cabra. cega
é pior quando nos mentem ainda sem os cisos.
coisas que acontecem no contratempo não se sujeitam a um consenso
Saturday, July 12, 2008
we're fated to pretend
. o jeff tem dado todos os dias as 00:50 na mcm. são rotinas destas que eu preciso
. gogol bordello traz ao de cima o meu lado cigano e dançar sem parar e esquecer e dançar outra vez
. o pelle almqvist dos the hives irrita-me, tem voz de gaivota lésbica, é sueco e fala à texano
. a facção esquerda foi bem convincente no moxe de rage, ou não fosse um concerto de rage. todo o meu lado esquerdo está dorido. braço, ombro, perna, aortas, ventríloquos, tudo
. não há duas sem três . a cabeça aguenta, o coração resiste. diz ele.
baby i've been here before
i've seen this room and i've walked this floor
i used to live alone before i knew you
i've seen your flag on the marble arch
but love is not a victory march
it's a cold and it's a broken hallelujah
well there was a time when you let me know
what's really going on below
but now you never show that to me do you
but remember when i moved in you
and the holy dove was moving too
and every breath we drew was hallelujah
devia deixar-me de rotinas
Saturday, June 21, 2008
os mitos do coração

Spring passes and one remembers one's innocence.
Summer passes and one remembers one's exuberance.
Autumn passes and one remembers one's reverence.
Winter passes and one remembers one's perseverance.
Yoko Ono
há quem diga que é possivel. há quem diga que tudo o que precisamos é de amor.
há quem diga que as àrvores andam revoltadas e a libertar toxinas para ver se é desta que caímos, e fazemos de uma vez o que pensámos numa vida inteira. há quem tenha plantas de plástico em casa. há quem considere os rituais e a rotina uma boa vitamina, nem mais nem menos. há quem goste de areia nos pés, e há quem se irrite quando há algas. há quem ache que o pollock era genial e há quem prefira latas de tomate estilizadas. há quem tenha morrido por causa dos anos sessenta e há quem dava tudo para ter vivido um dia nos anos sessenta.
há quem diga que o amor é um souvenir e há quem diga que são os cinco segundos finais de uma música do cohen. há quem diga que o lábio do joaquin phoenix é sexy e há quem diga se deus o marcou algum defeito lhe encontrou. há quem goste de estar de olhos fechados e ver azul e há quem goste de os manter abertos sem pestanejar com medo de vir o escuro. há quem acredite em profetas e há quem se considere um sonhador. há quem diga que mais vale atravessar a rua sem olhar e torcer o pé no alcatrão e há quem espere pelo conforto seguro do sinal verde para dar o passo. há quem diga que a palavra é prata e que o silêncio é ouro e há quem diga que quem cala consente.
há quem diga que o pinóquio agora é um rapaz que quer voltar a ser um boneco. há quem não goste do moralismo da disney e há quem não concorde com o facto de todas as personagens virem de famílias disfuncionais.
há quem diga que nem todas as noites são de sonhos, só as de verão e há quem diga que à noite somos todos bonitos e fodíveis.
há quem diga que os miradouros prendem o tornozelo esquerdo de quem lá abre o coração e há quem pergunte se queres ax num miradouro. há quem diga que os manjericos morrem se os cheirarmos e há quem dê o cheiro do amor na mão a outro na esperança de que ele não esqueça.
há quem diga que os camaleões também morrem se virem vermelho e há quem diga que o vermelho os excita.
há quem diga que o david fonseca não devia cantar em inglês e há quem diga que ele faz as pessoas encontrarem-se numa cidade de desencontros. há quem diga que é fácil cair de joelhos para que reparem em nós e há quem diga é impossível meter o rossio na rua da betesga.
há quem diga que o amor é não haver polícia e há quem diga que o amor verdadeiro espera em sótãos assombrados. há quem diga que ainda há trovadores e há quem continue à espera que ele apanhe o lenço bordado e faça a pergunta.
há quem diga que o thom yorke conduz um fiat punto e há quem diga que o morrissey é um mentiroso e que não é nada celibatário.
há quem diga que a lei de talião ainda é válida para resolver assuntos do coração e há quem não os resolva de todo.
há quem diga que o elvis não morreu.
Saturday, June 14, 2008
diz-lhe para parar aqui
(Nos teus braços morreríamos)
...
E do que eu gosto mais em ti é dos teus defeitos, dos teus pecados, da tua mentira que odeias. Para se gostar mesmo, como eu gosto de ti, é preciso dar atenção ao de que não se gosta nada das outras vezes, mesmo nada, isso é que é gostar como eu gosto de ti, é isso, só isso, que me faz gostar de ti. (...) os teus feitos são mortais, mas os pecados, esses são só teus. E meus, se tu quiseres.
E para que serve o amor, diz-me já.
Serve para perder o medo.
Pedro Paixão
Thursday, June 12, 2008
maçã de junho
for the first time in years
porque não me consegui conter e acabou por me ir tudo para os olhos com aquele abraço, com esta música. foi a melhor síntese, não duvido.
há músicas assim.
as noivas de santo antónio estão a casar neste momento, e um dia vou ter um ramo só de gipsofila vivaz paniculata branca. nada mais.
Friday, May 30, 2008
amantes de lyrics
amantes de lyrics. meros destinatários de pensamentos dos outros, dos que viveram mais e mais forte. lyrics como peças de um puzzle que bem poderia ser nosso e forçamos que encaixe naquela nossa noite. e encaixa.
amantes de lyrics que dizem "não me apontes a letra, por favor" , porque sabem bem que as letras das músicas podem passar depressa de uma bola de canhão corrosiva a dentes-de-leão num domingo. é assim que as letras trabalham.
amantes de lyrics que só eles percebem o que é dançar à distância de olhos fechados e com movimentos ainda assim sincopados.
what's a girl to do ?
white chalk sat against time
Tuesday, May 20, 2008
Tuesday, May 13, 2008
Friday, May 9, 2008
Monday, April 28, 2008
palavra de escuteiro
era a alegria do último cromo da caderneta e os dedos lambidos de restos de algodão doce.
um sim era um sim.
sem raio-x ou tacs.
Clementine: But you will! But you will. You know, you will think of things. And I'll get bored with you and feel trapped because that's what happens with me.
Joel: Okay.
Clementine: [pauses] Okay.
(ar)rebenta a bolha e aparece. as regras das escondidas não são eternas.

acreditava que um sim era um sim. hoje acredito que o vermelho é o novo e eterno preto e que as 02h da manhã são sempre mais dolorosas em anos bisextos.
palavra de escuteiro.
- Não vai doer. A senhora enfermeira só quer ver como é o teu sangue...se é igual ao da mana, se tem bolinhas ou corações.
um abraço e um beijo cheios de fé eram só o princípio e nunca o fim. pé direito sempre em frente. não abras o chapéu-de-chuva em casa.
palavra de escuteiro.
não acredito em mim tanto quanto não acredito nos outros. duvido que existam de verdade. duvido que alguma vez me tenham feito mal mas sim que fui eu que me autoinfligi e dei nome próprio a cada ferida.
não acredito na mudança mas não gosto de lagos estagnados. já não acredito em trevos de quatro folhas. deixei para trás o poder curativo das bolinhas e o bater dos calcanhares esperançosos. não acredito mas tento.
sou uma dessas descrentes.
já não acredito na entrega nem nos suspiros que ressoam duas horas depois.
Quoth the Raven "Nevermore"
prometo não voltar a importunar-me. prometo chorar apenas quando a razão me notificar e o coração estiver a fazer a sesta.
palavra de escuteiro?
Sunday, April 20, 2008
vinte e dois. the death of all the romance
sonhei aos vinte anos durante três avé-marias
que eu tinha-me roubado a minha vida
depois de treler o monte dos vendavais
decidi ir contra a futilidade do romance
fui apanhado aos vinte e dois anos
em plena capicua inocente e rua
em amantíssima posse viral
a verdade apanha-se com enganos
aos vinte e três outonos apaixonei-me doze vezes
e nem sempre pelas mesmas almas
mas sobrevivi a um coração míope
A Naifa
Tuesday, April 15, 2008
radar às 22h 48
caro pedro moreira dias,
agradeço-te todas as noites em surdina. quero que saibas que és uma boa companhia e acho a tua voz mesmo bonita.
pelo menos sei que se alguém é constante durante uma hora, és tu.
em tempos tive-te como testemunha ocular a fazer de dj-particular num bairro que julguei ser meu.
afinal só lá estavamos nós os dois e a lover you should've come over a pairar. não encontrei nenhum miradouro nem tão pouco a lua reflectia nos meus cabelos ao som de uma qualquer balada. não.
o bairro turvou-me a visão e as tuas músicas viraram-me do avesso o coração. andei dias, semanas, meses, de etiqueta de fora num pedido desesperado de ajuda.
hoje oiço-te na mesma. sem o prazer que o teu timbre me causava, mas oiço. mesmo que seja um pau de dois bicos, porque não vai deixar de ser amargo. se calhar nem saudável é, mas continuas lá. não me viraste as costas, tornaste-te no desconhecido mais fiel que varre os meus cacos enquanto dizes boa noite.
não te intimidei, a ti não. mudaram-te só a hora, agora das 22h às 23h na 97.8 enches-me o quarto, o carro, a esquina, o degrau gelado, noite após noite numa rotina que já não devia ser a minha.
já não devia ser a minha.
ainda cá estamos no fim do Verão?
imagino-te a fumar enquanto passas dEus e esperas para entrar no ar. dás voltas na cadeira e estalas os dedos. se calhar nem fumas. se calhar eu quero que fumes.
um dia agradeço-te.

cada um tem de tratar das suas nódoas negras sentimentais
Monday, April 14, 2008
mini ensaio acerca de uma eventual morte prematuro-tardia
mada é o melhor blog que tenho nos penduricalhos a esquerda do meu
jo diz:
por isso ta quieta
jo diz:
stay away from that click
yes mam.
é assim que ela me cala. com textos de fechar o polegar com força dentro da mão para sentir que abraço alguém depois de os ler. ( o corpo mirra e as lágrimas tendem a verter a cada sílaba sua. é esse o seu poder )
e é com palavras serenas e ordens destas que ela me desarma e me faz chamar pelo seu colo dorido num casulo onde podemos ser traças, borboletas que nunca foram, e lolitas que se perderam numa noite qualquer. nesse teu colo dorido.
I say to myself
I need fuel to take flight
i'm drawing myself the ideal crash
Sunday, April 6, 2008
now i know how joan of arc felt
aquele que todos evitam, e onde os táxis de madrugada se recusam a parar.
onde há rusgas, pulsos doridos, bêbedos, dealers, senhoras-que-se-vendem, música muito má de fundo, e onde falta uma pinga de amor às 3h da manhã.
atrevi-me a tentar sair dele.
fartei-me dos vizinhos. e sóbria, as paredes e degraus deixaram de ser apelativos.
there is a light that never goes out
errata: ainda estou ao virar da esquina.
quero acreditar que isto não é um círculo de eterno retorno but you never know. estou a meio caminho.
ou vou conhecer os subúrbios ou volto para o antro.
take me anywhere, I don't care.I don't care. I don't care. I don't care.
Wednesday, March 26, 2008
get down get down little henry lee
a empatia é tão simples e às vezes esqueço-me.
é só disso que se trata. de empatia.
finish my lines, please and i shall soothe you
Monday, March 24, 2008
de battre mon coeur s'est arrêté
Wednesday, March 12, 2008
hallelujah
Monday, March 3, 2008
Monday, February 18, 2008
dez lamúrias por gole ou os joelhos esfolados

Hoje é um dia desses. talvez a enxurrada, as chuvas e a lama ajudem as lágrimas que tardam. não me importo de ficar mais suja. não sou a holly golightly à procura do gato numa ny chuvosa, nem tenho que manter as aparências.
the painkiller-side of this life is to not look behind it's over
Já fui boa. sei de cor como ser má, e já me chamaram de vilã. ultimamente até de ninfita.
de pés frios sou aquela que só quer um suspiro em paz, a mórbida necessitada de atenção e de um beijo no lábio de baixo a deixar o de cima impaciente e de castigo, para depois surpreender os dois ao mesmo tempo num beijo apoteótico, digno de uma scarlet.
não mais do que isso. não menos, isso não.
preciso dos exactos segundos que antecedem essa intimidade e se ouve um hallelujah nu e cru.
I won’t rest until I don't care
quantas caras tiveste? quantas fases? quantos suspiros nas madrugadas ouviste? quantas cicatrizes marcaste? quantos goles foram precisos? quantas pétalas arrancaste tu para as pisares em seguida? quantos mal-me-queres cheios de repulsa escondeste de mim?
you are the body hidden in the trunk
Fiz-te um funeral, não foi digno, confesso. não tiveste flores, ninguém leu oscar wilde, nem houve nenhum discurso de puxar a lágrima, a tua ausência secou-as enquanto elas se formavam e nunca regressaste para as ver cair. de que te queixas agora? dói-te o quê?
I've seen this room and i've walked this floor
Foi na varanda, achei que ias gostar do sítio para descansar em paz. o chão é frio, gelava-te os ossos, se os tivesses. enquanto te enterrava cada vez mais fundo na minha alma, na madrugada continuavas naquele ninho que foi a varanda. inerte enquanto passava na rádio o let me kiss you. não para ti. não para nós. para alguns amantes imaginários que na sombra da noite regressam.
as coincidências, essas existem, a minha ingenuidade é que fechou para balanço.
did the cat get your tongue?
Disseram-me que o verão tudo leva, tudo cura, e que tudo se iria compor levado no sal do mar, mas as estradas vertiginosas continuaram a passar por mim todas as noites e a minha falta de equilíbrio levou-me a esfolar os joelhos numa outra mulholland drive e a não chamar a minha mãe.
nunca gostei de os esfolar, nem tão pouco de os exibir como marcas de guerra de amores passados.
agora mais do que nunca sei que soprar enquanto me desinfectaram as feridas de nada serviu, é um disparate. as grandes dores são sempre mudas, ouvi algures. e não se contam pela quantidade de areia e cinza e memórias e alcatrão e suspiros e sangue e rum que tenham em cima.
it burns, burns, burns the ring of fire
não me lembro
não me lembro
não me lembro
mais.
de quantas telhas derrubaste
naquele corredor
num bang bang em surdina.
Friday, February 15, 2008
dear catastrophe waitress
Reuniões: 3ª feira das 19h15 às 20h45 na cripta da Igreja dos Anjos. Av. Almirante Reis. Lisboa.
não sei se hei-de rir. no fundo é metade do meu nome que está em risco.
nem quero saber quais serão os 12 passos...
bem-vinda madalena.






